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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Evolução (Parte I) – Teoria e coerência.

A teoria da Evolução das Espécies foi um triunfo sobre o desconhecimento e o obscurantismo fanático e hoje corre um risco de ser censurado e esquecido nas escolas.
A Biologia é o estudo dos seres vivos sejam eles vegetais (botânica) e animais (zoologia), assim como outros microrganismos, fungos e humanos (antropologia). Mas, neste presente artigo, abordaremos a questão da Evolução dos animais.
Dentro da Geografia existe um estudo conhecido e organizado sobre a vida no Planeta – a Biosfera – que se organiza em formações vegetais e animais. O estudo referente à zoologia, e observado em conjunto com a Biologia, o fenômeno dos animais e sua distribuição no planeta, seu comportamento e sua relação com a cadeia da vida.
Naturalistas ingleses
Porém, a explicação referente à origem dos animais se dá através das teorias relacionadas a origem e a evolução das espécies. Antes de Charles Robert Darwin e Alfred Russel Wallace,[1] outros grandes sábios do passado como Tales de Mileto, Anaximandro eAnaxímenes lançaram suas teorias relacionadas à origem da vida e sua evolução nos elementos água (Tales de Mileto e Anaximandro, mestre e discípulo, respectivamente) e ar (Anaxímenes, discípulo de Anaximandro).
Tales de Mileto e seu discípulo afirmavam que a vida se originou da água, entretanto foi Tales de Mileto quem propôs uma teoria mais racional e científica, em que a Natureza foi gerada deste elemento com animação própria, que movia-se e se transformava em diversas formas.[2]
Mas, para Anaxímenes o Ar seria o elemento de origem dos seres. Devido aos processos de rarefação e condensação, passando por transformações mesmo mantendo a sua essência original.[3] A partir destas duas proposições podemos afirmar, que através da análise destas duas idéias que os elementos se apresentam na geração da vida tanto como composição física e fisiológica como cenário de atuação.
Analisemos, caros(as) leitores(as), em um primeiro momento a vida se originou na água,[4] pois Anaximandro postulou através da observação o cuidado de certos peixes com suas crias, tais cuidados eram similares aos dos humanos, que para este filosofo, devido a fragilidade de nossos filhos, o ser humano teria se originado de outra espécie. [5] A partir desta comparação, das condições de nossas crias e dos registros fósseis destes peixes, Anaximandro nos brinda com a idéia de uma evolução.
Porém, como afirmamos neste presente artigo excluímos o ser humano como objeto de estudo, pois iremos concentrar as nossas analises nos animais.
Entretanto, foi o sábio Empedocles de Agrigento que, inicialmente, analisou e afirmou que todos os seres vivos são compostos dos quatro elementos (Ar, Água, Fogo e Terra).[6]
Para este sábio a origem e a composição dos seres vivos, tanto na separação destes como na reunião dos elementos, originou os seres vivos híbridos,[7] que estavam fadados à extinção em virtude de seus entraves e do processo de Seleção Natural, uma adaptação ao meio , em vez de uma intervenção divina, em que apenas os seres vivos homogêneos, puros, iriam sobreviver e prosperar. Contudo, a evolução das espécies não foi exposta nesta teoria de Empedocles.
A partir deste momento podemos observar que existe uma relação comparativa e analítica as descobertas de Darwin, no qual a Seleção Natural e a evolução das espécies, tendo como fator a luta pela existência.[8]
Segundo Richard Tarnas, Charles Robert Darwin, que através de suas investigações, conferiu a ciência um triunfo sobre o desconhecimento e o obscurantismo fanático.[9]Pois, Darwin teve respaldo investigativo e empírico de sua teoria com seu contemporâneo A.R. Wallace, também naturalista, que observou os mesmos fenômenos em pontos geográficos diferentes de seu contemporâneo e conterrâneo colega.[10] Sendo uma conquista da razão investigativa científica, ela se consagra como uma verdade que se desvela através da capacidade humana que hoje esta ameaçada com a imposição da PL (Projeto de Lei) 8099/2014, que deseja impor o criacionismo nas escolas.
A evolução das espécies é uma retomada do conhecimento analítico relacionado às transformações de espécies animais ancestrais que originaram outras espécies ou grupos de seres de uma mesma linhagem.[11]
Mesmo as grandes e dramáticas mudanças, como os ciclos de catástrofes, descobertos, expostos e defendidos pelo Barão de Cuvier (Georges Cuvier - pai da paleontologia),[12] como formas de marcar e classificar as eras. Desta forma a vida, a luta pela existência e o processo de Seleção Natural persistiram, podemos até afirmar que tais catástrofes naturais fazem parte deste processo, pois nos mostram que a Biosfera esta relacionada com a Geologia e o clima,[13] ou seja, as transformações destes dois fatores, mesmo que de forma trágica, segundo o Barão de Cuvier, influenciam intrinsecamente a vida no Planeta.
Barão de Cuvier
Em síntese, Darwin e Wallace nos mostram que como afirmava um título de um sábio oriental - o Bhaktivedanta Swami Prabhupada – A Vida vem da própria Vida, pois todos os seres viventes são oriundos de outros seres vivos, que lutam para existir através de suas gerações futuras, que se adaptam as mudanças geológicas e climáticas.
Notas e referencias bibliográficas:

[1]N.A. (Nota do Autor) – Charles Darwin e Alfred R. Wallace eram contemporâneos e realizaram pesquisas na área do Naturalismo e das espécies.
[2]MESQUITA, André Campos – Darwin – o Naturalista da evolução das espécies– Edit. Escala – São Paulo – S.P. – 2011, pág. 19. e TARNAS, Richard – A Epopéia do Pensamento Ocidental – Bertrand Brasil – Rio de Janeiro – R.J. 2008, pág. 34.
[3]Idem - Ibidem. e  TARNAS, Richard – Op. Cit. – pág. 503.
[4] TARNAS, Richard – Op. Cit. – pág. 503.
[5]MESQUITA, André Campos – Op. Cit. – pág. 20.
[6]MESQUITA, André Campos – Op. Cit. – pág. 21.
[7]MESQUITA, André Campos – Op. Cit. – pág. 22.
[8]DARWIN, Charles – A Origens das Espécies – Edit. Martin Claret – São Paulo, S. P. – 2014 – Págs. 119 e 171 e TARNAS, Richard – Op. Cit. – pág. 311.
[9] TARNAS, Richard – Op. Cit. – págs. 307 e 311.
[10]MESQUITA, André Campos – Op. Cit. – págs. 122 a 125.
[11] DARWIN, Charles – Op. Cit. – págs. 163 à 167, 200 e 201 e 639.
[12]Enciclopédia Novo Século - Edit. Visor – São Paulo, S. P. – 2002 – Vol. 3 e 10.
[13] DARWIN, Charles – Op. Cit. – págs. 153 e 177.

sábado, 14 de setembro de 2013

A Proto-história e o homem primitivo.

Este artigo tem o objetivo de contestar o termo Pré-história e as duas alternativas relacionadas ao surgimento do homem como protagonista da história em um período perdido, mas que deixou pista para a formação das Primeiras Histórias.
O termo “Pré-História” cunhado pela escola francesa de História precisa ser substituído pelo termo “Proto-História”, pois o primeiro termo significa antes da História, este termo foi criado no Séc. XIX e serviu para contar e dividir sobre o período anterior ao “surgimento da escrita”, porém, nós historiadores precisamos rever nossa posição sobre este termo. Este termo foi utilizado em detrimento da “falta de documentos” que serviriam como registros de uma época em que surgiu a humanidade ou lançou seus primeiros passos na História da terra. Mas, graças ao avanço da História como ciência, suas incansáveis investigações e suas abordagens auxiliadas pelas outras ciências, principalmente a Arqueologia, a Paleontologia, a História Cultural, a Psicologia e outras ciências e ferramentas podemos rever e abordar este período em que os homens tiveram suas ações registradas em artefatos, fósseis e registros pictográficos nas paredes de cavernas. Com isso a História pode através da abordagem cultural e arqueológica evidenciar os passos dos homens em um período anterior a formação de algumas vilas e cidades.
Sendo assim, o termo correto seria Proto-história, ou seja, primeiras histórias, pois se faz justo a evidência das ações destes homens arcaicos , através destas análises e se faz justiça ao termo Proto-história, visto que são as primeiras histórias sabidas e aceitas por nós homens contemporâneos, pois ao mesmo tempo em que alguns povos eram primitivos outros estavam em estado mais avançados, como no caso dos egípcios, chineses, sumérios e ameríndios imperiais (astecas, maias, olmecas, toltecas e incas). Porém, uma discussão que torna acalorada os debates são as teorias relacionadas ao surgimento do Homem. Tais discussões e propostas gravitam em torno de duas alternativas: o Evolucionismo e o Criacionismo. Estas duas vertentes buscam formas de explicação sobre o fenômeno Homem no Planeta e seu papel como agente histórico.
Segundo um dialogo com a Professora Eneida Carnaval, que colaborou com a formação deste presente artigo, através de um dialogo sobre as duas vertentes. Afirma que o Criacionismo é uma teoria que serve de base mitológica a fim de trazer conforto aos homens que se dispuseram a crer nesta teoria. O Evolucionismo, de acordo com a Professora Eneida, aponta o processo de evolução do ser humano de Homo Sapiens para Homo Sapiens Sapiens e os procedimentos em transformar a natureza e se relacionar com ela, navegando em seu processo civilizatório. Para complementarmos esta observação se faz necessário apresentar os prós e contras de cada teoria visto que o Evolucionismo e o Criacionismo apresentam incoerências em suas formas de apresentação.
O Criacionismo foi uma forma de explicar o surgimento do homem neste planeta, sem dar a outra opinião, nos primeiros momentos foi por imposição dos homens daquelas épocas, mas por uma ausência de prática de questionamento. Em outro momento foi por imposição do pensamento Criacionista que utilizou pressões, escárnios e métodos escusos a fim de se legitimar como “verdade única”. Porém o Criacionismo não possui bases científicas, ou seja, a praxis e a investigação comparativa, portanto se torna uma visão de mundo, não podendo se apresentar como ciência e nem como “verdade absoluta e incontestável”, pois não possue indicações para se legitimar e não é comprovada cientificamente, mas utiliza-se da fé, muitas das vezes do fanatismo, e que utiliza os argumentos ferozes frente as recentes descobertas da ciência que se aproximam de alguma crença religiosa, mas que ainda assim não verdades, porém pistas mitológicas.
O Evolucionismo foi outra forma de explicar a origem das espécies e suas capacidades de mudança frente a Natureza, que não são aceitos em virtude do imediatismo dos homens comuns, do pensamento fanático e do argumento que a Ciência, mesmo através das investigações e comprovações, não é uma verdade absoluto, em virtude das constantes descobertas e redescobertas da ciência. Em virtude de uma falha de interpretação dos seguidores de Darwin , ocorreu a afirmativa que o homem veio de uma espécie de macaco, Porém não foi achado o elo entre o homem e o macaco. Segundo alguns biólogos o homem e o macaco tomaram rumos diferentes nas suas evoluções como espécies. Os fósseis de homens antigos, dos períodos paleolítico, paleolítico superior e neolítico, indicam uma forma de homens primitivos, ou seja, homens que estavam em um estagio de vida rudimentar e adaptado às intempéries selvagens do mundo, como nos mostram o homens de Neanderthal, os Homo florensiensis ( Homem de flores - o Hobbit) e os Homens de Cro- Magnon. Assim como a vida vem da vida, ou seja, a vida é matéria-prima para a própria vida, o homem vem do próprio homem, mais precisamente do homem primitivo. Porém o digno leitor irá lançar a pergunta: “e de onde veio o homem primitivo?” Assim como o homem veio do homem primitivo, este, por seu turno, teria vindo do homem avançado que teria entrado em processo de decadência, como nos contam as lendas indígenas, entre elas a dos índios Hopi , em que as iniciações de um Shaman consistia em se retirar da tribo e viver isoladamente na floresta, desta forma ele perde seu contato com a civilização e se torna selvagem a fim de entrar em sintonia maior com a Natureza e os espíritos contidos nela. Outra comparação que precisa ser feita é a de um naufrago que para se adaptar a ilha perde sua civilização e vive de forma rudimentar.
Logicamente que esta seria uma terceira opção para que possa se analisar referente a origem do homem e relacioná-lo com a Proto-História, pois o homem primitivo foi o protagonista junto a Natureza e seus ciclos na existência e construção do processo civilizatório na História dos Homens e do Mundo. * Este artigo foi construído com a colaboração da Professora e historiadora Eneida Carnaval.