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sábado, 27 de maio de 2017

Trivium e Quadrivium – as Artes Liberais

A redescoberta da Paidéia durante a Idade Média através das Artes Liberais – Trivium e Quadrivium . Que podem ajudar o homem contemporâneo em sua formação do conhecimento e da civilização, deixadas para trás.

universidades da Idade Média
Durante a Idade Média européia ocorreu uma redescoberta da Paidéia na educação, que muito ajudou na formação das elites intelectuais, baseadas na educação clássica, pois a educação greco-romana ainda era, e podemos afirmar que ainda é o modelo, de educação e civilização.
Como foram baseadas no estilo clássico de educação tinham sido formados sete artes que possibilitaram a formação do homem livre, que estavam desconectadas das preocupações mundanas ou profissionais, ou seja, a formação de uma elite que através do refinamento intelectual que tinham a capacidade de produzir obras e idéias que elevam o espírito humano para além dos empenhos materiais, em direção a uma inteligência racional e livre.
As sete Artes Liberais
Chamava-se de Trivium e Quadrivium, as Artes Liberais, que eram um grupo de sete artes, caminhos ou disciplinas que envolviam o estudo da Gramática, Lógica, Retórica, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia. Estas sete disciplinas estavam divididas em dois grupos:
Trivium: Cujo significado era “o cruzamento e articulação de três ramos ou caminhos” e o objetivo era o provimento de disciplina à mente, para encontrar expressão na linguagem, principalmente no estudo da matéria e do espírito. Dentro deste grupo estava a Gramática, Lógica e Retórica.
Quadrivium: “Cruzamento e articulação de quatro ramos ou caminhos”, cujo objetivo destas artes era a providência dos meios e dos métodos para o estudo da matéria, que estavam sujeitos ao aprimoramento na área das disciplinas superiores (Medicina, Direito e Teologia). Dentro deste grupo estava a Aritmética (teoria dos números), Geometria (teoria do espaço), Música (aplicação da teoria do número, pode ser entendido como estudo dos princípios musicais, harmonia) e Astronomia (aplicação da teoria do espaço). Sendo assim o espírito humano teria como caráter intrínseco o número.
Portanto durante aquela época ocorreu uma formação da educação e da Paidéia, ou seja, a redescoberta desta última. A disciplina ou virtude se faz necessária para a realização da formação educativa nestas artes que segundo o postulado da educação medieval e clássica o intelecto deve ser desenvolvido pelas cinco virtudes intelectuais: A compreensão - captação intuitiva dos princípios primordiais (pensamento lógico e investigação lógica); a ciência - conhecimento das causas mais prováveis; a sabedoria - compreensão das causas fundamentais; a prudência - pensamento coerente relativo às ações e a arte - pensamento aplicado à produção e à capacidade de produzir.
Com isso pode ser observado o processo, perdido pelo tempo, do conhecimento.

Referências bibliográficas:
JOSEPH, Miriam. - O Trivium - As Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica. Tradução de Henrique Paul Dmyterko. São Paulo: É Realizações, 2008.TARNAS, Richard – A Epopéia do Pensamento Ocidental.  Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.http://recantodasletras.uol.com.br/resenhasdelivros/1957460 - Acessado em 12/04/2011.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Música Clássica e educação

A música clássica, que deixou de ser incentivada, tanto na educação familiar e escolar, em prol da valorização de músicas efêmeras, sem qualidade e imoralizantes, precisa ser resgatada. É correto afirmar, que cada um tem seu gosto musical, porém, deve ser ressaltado que as músicas desclassificadas e de mau gosto estão sendo impostas goela a baixo da população, que não tem obrigação de aplaudir e gostar desse tipo de manifestação de barbárie. Tolerar é aceitar parcialmente o outro, respeitando as suas diferenças. A música na educação serve como um momento erudição e absorção, no qual se trabalha a capacidade de uma pessoa de interpretar uma música ao ler uma partitura e expressá-la no instrumento tocado pelo aluno, que se dispõe a aprender esta arte. A aprendizagem na música, principalmente clássica, trabalha a concentração, a sensibilidade, a percepção auditiva e estética do discípulo. Como conseqüência se adquire a Paidéia.
Porém o aprendizado musical é para a vida toda. É lógico que nem todas as pessoas têm aptidão para a música, mas pode ter para outras habilidades artísticas e/ou esportivas. O mais importante é o incentivo que precisa ser dado ao aprendiz, tal incentivo deve começar na família e na própria pessoa, e posteriormente na escola ou Liceu de música.
A Música Clássica foi fruto da erudição, do estudo constante dos sons oriundos da natureza, porém, não são músicas folclóricas e nem populares. Tais estudos se iniciaram no Século IX e tornaram-se paradigma de estudo musical. Principalmente no estudo da harmonia utilizada na Música, do Quadrivium, em que se utilizam os cálculos matemáticos nas notas da partitura.
Estudar música, para quem gosta desta arte e se dispõe a instruir-se, é uma arte civilizatória. E a música clássica fortalece o espírito humano no seu processo de aprendizagem e execução.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Artes Marciais e a educação.

“O guerreiro deve seguir os caminhos da espada e da pena” – Miyamoto Musashi – O Livro dos Cinco Anéis.
O caminho das Artes Marciais tem um objetivo principal, disciplinar. Disciplinar o discípulo a fim de alcançar a excelência e conectá-lo com a nobreza e a Cavalaria, fatores importantes para a formação da Paidéia, da Aristocracia e da lapidação do caráter. Quando uma pessoa se inicia em alguma Arte Marcial aprende a se conhecer. Conhece seu corpo, seus movimentos, suas capacidades e aprende a ter controle sobre si mesmo, através das contemplações do corpo, do equilíbrio e dos movimentos realizados, podemos afirmar que esta é uma prática Gimnosofista por observar o corpo e a partir para a metafísica da Arte da Guerra.
Devemos entender a Arte Marcial como um conjunto de ensinamentos e de práticas relacionadas ao arquétipo de Marte (Ares), o Deus da Guerra, que impulsionava os homens ao combate a fim de tirá-los de suas decadências morais. Sua relação com a educação é a formação do caráter no intuito de eduzir os valores mais nobres e expandi-los para a sociedade através das atitudes cavalheirescas, ou seja, através da honra nas atitudes e no controle das palavras e pensamentos. Pois, lideranças honradas são aspiradas pela sociedade que preferem senhores mais nobres, virtuosos e justos, que os guiam para as ascensões espirituais e morais.
Logicamente que as Artes Marciais tem um caráter de ensinar a autodefesa, com o intuito de despertar a autoconfiança e o sentido de capacidade. A Arte Marcial não tem Omo objetivo incentivar a violência desmedida, mas a defesa pessoal para evitar o conflito, pois segundo a lógica guerreira: “Não se contra-ataca o oponente por ódio, mas por amor/compaixão. Devemos respeitar nosso inimigo, mas se ele nos ataca devemos nos defender e contra-atacar para punir a transgressão de nos atacar. Redirecionando, desta forma, o agressor apara o caminho criativo da harmonia, pois o amor ao oponente é uma energia severa”
Pois isto é agir com justiça, pois segundo Platão - “Justiça é dar a cada um aquilo que lhe é devido de acordo com suas naturezas e méritos” . Retornando à lógica guerreira, esta nada tem haver com o MMA, UFC e outros estilos brutais de luta que têm compromisso com o entretenimento vulgar e bárbaro e com o fetiche pela violência, que enchem as nossas casa com a ausência de valores e desvirtuam os ideais éticos da Arte da Guerra. Os defensores das vicissitudes encontraram uma forma de se colocar na sociedade com o aval da plebe e do judiciário, que se encarregou de “punir” ou submeter os praticantes de Artes Marciais a não reagirem e castrar suas ações educacionais, mas que aplaudem e incentivam os MMA’s. Utilizaram o recurso de advogados, comprometidos com a pilantragem, com o lucro rápido e sem escrúpulos para impedir e intimidar através de leis que impedem o recurso da defesa pessoal. Ou seja, você cidadão honrado, digno, trabalhador e respeitador das leis e da convivência, tem que se submeter a tirania dos débeis e pessoas mau-caráter, que hoje controlam a sociedade. O judiciário precisa ajudar a moralizar e retornar com os valores éticos nas Artes Marciais, pois as lutas que não têm compromisso com a formação da Paidéia não ajudam com o processo civilizatório, não refina o cidadão, ao passo que as Artes Marciais comprometidas com o processo civilizatório se baseiam em valores éticos, morais, divinos e atemporais.
Segundo o grande samurai Miayamoto Musashi o caminho da Espada deve ser adicionado a alguma arte a fim de refinar o cavalheiro, em sua obra O Livro dos Cinco Anéis ele associou o uso da espada com a caligrafia, pois para este Hessei (santo guerreiro) a forma como se escreve é a forma como se utiliza a espada . Para Platão, a educação dos Guardiões o uso de ginástica conjugada ao estudo da música, a primeira para fortalecer os corpos e a segunda para refinar a alma .
Portanto as Artes Marciais conjugadas as artes (Caligrafia, Música ou música instrumental (ênfase na Música Clássica), artes plásticas e teatro) e a filosofia e ciências, como norteadoras de pensamento, formam a base ideal e correta para a formação de cidadão e aristocratas, sob a égide de valores éticos, morais, atemporais e sublimes.
Notas e Referências bibliograficas: Em japonês- Bujutsu; em mandarim – Wushu; no ocidente chamamos o conjunto de aprendizados para a Guerra de Arte Marcial. Gimnosofista (Sonnyase) – pensadores do corpo, filósofos céticos indianos do período anterior a Siddhartha e a Mahavira, que abandonaram o Bhramanismo e a casta dos sacerdotes para combater a ilusão da matéria, faziam suas despidos e com posturas da Yoga forçando seus corpos a um rigor extremo a fim de transender a matéria. Foram chamados de Gimnosofistas em virtude deo contato om os gregos das expedições de Alexandre Magno na Índia. MITSUGI, Saotome – Aikidô e a Harmonia da Natureza – págs. 176 e 185 à 187 - Editora Pensamento – São Paulo – S.P. 2006. Este princípio de justiça Platão aprendeu nas suas viagens ao Egito. UM dos princípios baseados nas Leis de Maat – a Deusa egípcia da Justiça e do equilíbrio. Miyamoto Musashi (1548 à 1645 da E.c.) – Nome verdadeiro Shinmen Musashi No Kami Fujiwara No Genshin, nasceu em um vilarejo chamado de Miyamoto, província de Mimasaka, filho de um nobre que o deixou aos cuidados de um tio materno,um sacerdote. Foi o maior samurai de todo Nihon (Japão) durante o período do Shogunato Tokugawa, no Séc. XVII MIYAMOTO, Musashi – O Livro dos Cico Anéis (Go Rin No Sho) – Rio de Janeiro - Ediouro – 2002. PLATÃO – A República – Rio de Janeiro – Martin Claret – 2008.