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quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Contra a adolescência tardia.

 

Uma das questões que ocorrem hoje em dia e causa uma dissonância na sociedade é a “adolescência tardia” em que muitos adultos agem e pensam como adolescentes. Cada faixa etária tem suas alegrias e angustias, assim como suas cotas de responsabilidades, mas o que muitos querem é viver uma imaturidade leviana de seus atos como se a vida fosse uma eterna festa em que ninguém precisasse arrumar as cadeiras no final dela.

Caro(a) leitor(a) devemos ter consciência de que quando atingimos a idade da maturidade, depois dos 28 anos, devemos agir como cavalheiros e damas mais responsáveis e cônscios de nossas atitudes, que geram conseqüências em nossas vidas e na dos outros. Pois os cuidados de nossas ações impactam na convivência social. Se agirmos com impulsos inconseqüentes podemos atrair inimizades e desdém de nossas pessoas, além de gerar desconfiança contra nós.

Por isso quando adulto devemos servir de guias para as demais idades e se formos senis devemos exalar sabedoria a fim de sermos os modelos para as idades mais baixas e causar-lhes admiração, para vislumbrar as nossas virtudes.



sábado, 27 de maio de 2017

Trivium e Quadrivium – as Artes Liberais

A redescoberta da Paidéia durante a Idade Média através das Artes Liberais – Trivium e Quadrivium . Que podem ajudar o homem contemporâneo em sua formação do conhecimento e da civilização, deixadas para trás.

universidades da Idade Média
Durante a Idade Média européia ocorreu uma redescoberta da Paidéia na educação, que muito ajudou na formação das elites intelectuais, baseadas na educação clássica, pois a educação greco-romana ainda era, e podemos afirmar que ainda é o modelo, de educação e civilização.
Como foram baseadas no estilo clássico de educação tinham sido formados sete artes que possibilitaram a formação do homem livre, que estavam desconectadas das preocupações mundanas ou profissionais, ou seja, a formação de uma elite que através do refinamento intelectual que tinham a capacidade de produzir obras e idéias que elevam o espírito humano para além dos empenhos materiais, em direção a uma inteligência racional e livre.
As sete Artes Liberais
Chamava-se de Trivium e Quadrivium, as Artes Liberais, que eram um grupo de sete artes, caminhos ou disciplinas que envolviam o estudo da Gramática, Lógica, Retórica, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia. Estas sete disciplinas estavam divididas em dois grupos:
Trivium: Cujo significado era “o cruzamento e articulação de três ramos ou caminhos” e o objetivo era o provimento de disciplina à mente, para encontrar expressão na linguagem, principalmente no estudo da matéria e do espírito. Dentro deste grupo estava a Gramática, Lógica e Retórica.
Quadrivium: “Cruzamento e articulação de quatro ramos ou caminhos”, cujo objetivo destas artes era a providência dos meios e dos métodos para o estudo da matéria, que estavam sujeitos ao aprimoramento na área das disciplinas superiores (Medicina, Direito e Teologia). Dentro deste grupo estava a Aritmética (teoria dos números), Geometria (teoria do espaço), Música (aplicação da teoria do número, pode ser entendido como estudo dos princípios musicais, harmonia) e Astronomia (aplicação da teoria do espaço). Sendo assim o espírito humano teria como caráter intrínseco o número.
Portanto durante aquela época ocorreu uma formação da educação e da Paidéia, ou seja, a redescoberta desta última. A disciplina ou virtude se faz necessária para a realização da formação educativa nestas artes que segundo o postulado da educação medieval e clássica o intelecto deve ser desenvolvido pelas cinco virtudes intelectuais: A compreensão - captação intuitiva dos princípios primordiais (pensamento lógico e investigação lógica); a ciência - conhecimento das causas mais prováveis; a sabedoria - compreensão das causas fundamentais; a prudência - pensamento coerente relativo às ações e a arte - pensamento aplicado à produção e à capacidade de produzir.
Com isso pode ser observado o processo, perdido pelo tempo, do conhecimento.

Referências bibliográficas:
JOSEPH, Miriam. - O Trivium - As Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica. Tradução de Henrique Paul Dmyterko. São Paulo: É Realizações, 2008.TARNAS, Richard – A Epopéia do Pensamento Ocidental.  Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.http://recantodasletras.uol.com.br/resenhasdelivros/1957460 - Acessado em 12/04/2011.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Epiteto: Filósofo e escravo.

Quando falamos sobre a Filosofia Estoica, a primeira coisa que nos vem a mente é a palavra austeridade. A segunda são os filósofos estoicos romanos mais importantes: Sêneca, Epiteto e o Imperador Marco Aurélio. A terceira coisa que vem nas mentes dos esclarecidos é a relação entre o Estoicismo e o Cristianismo, pois esta filosofia greco-romana serviu de base para a conduta moral no Cristianismo.
Este fato gera uma discussão entre fanáticos, cristãos moderados, filósofos e historiadores da cristandade. Porém, voltemos a nossa atenção para um dos mais importantes filósofos estoicos, em virtude de sua condição de escravo, e que o tornou uma figura ignorada na História da Filosofia, tanto por parte de uma classe intelectual como por parte da plebe analfabeta funcional, grosseira, ignóbil, imoral e bestializada.
Mas antes de falarmos deste filosofo, precisamos enxergar o cenário histórico vivido por ele, compreender a Filosofia aprendida e aplicada por Epiteto, que ele ensina depois sua liberdade. Este sábio homem, viveu em uma Roma Imperial que passava da transição do Imperador Cláudio para Nero, considerado um dos piores imperadores romanos, por viver de forma luxuriosa e ter sido um tirano que levou o medo a outras províncias do Império, pela perseguição aos cristãos, por se cercar de homens (assessores) brutais, assassinato de sua mãe, parentes e outros, pelo incêndio de Roma e, da seguida, tomada de posse desta área queimada a fim de construir um área de passeio e do Palácio Pessoal.
Nero ainda condenou a morte seu próprio professor, o filosofo Lúcio Anneo Sêneca, que cortou seus próprios pulsos a fim de cumprir a pena dada pro seu ex-discípulo1.
Desta forma podemos observar o terrível quadro desta época. Em uma Roma caracterizada pela Tirania, violência, loucura e luxúria.
Neste exato momento vigorava entre as mentes mais brilhantes de Roma a Filosofia Estoica, surgida em meados do Séc. III a.C., em uma galeria publica decorada com preciosas pinturas (Stoa Poikolé), em Atenas em que Zenon de Kitium (fundador desta escola) se reunia com seus discípulos para ensinar suas doutrinas.
Estas doutrinas tinham suas raízes no Socratismo e na filosofia Heraclitiana2. A doutrina filosófica do Estoicismo tinha como característica a serenidade do filósofo, sentido de dever, da austeridade e a força moral, a fim de alcançar a felicidade espiritual, algo semelhante ao Nirvana, a Eudamônia (felicidade) oriunda daAtaraxia (tranquilidade, Dyanna3) – tais métodos podem ser comparados ao Zen.
A partir do Séc. I d. C. O estoicismo migra para Roma, através de Posidônio de Apamea, que fez amizade com homens ilustres de Roma com Cícero, Pompeo e Mário. Esta escola se destacou em Roma e marcou a Filosofia sendo conhecida como “Novo Estoicismo” ou “Estoicismo Imperial”. Lançada as sementes em Roma, alguns filósofos desta escola se destacaram.
Contudo, neste presente artigo abordamos a figura de Epiteto entre os filósofos estoicos de Roma.
Nascido na Frígia em c. 50 d.C., na cidade de Hierápolis de forma obscura, em virtude de sua origem social, tendo uma juventude laboriosa e dura, pois foi escravo de Epafrodito, secretário de Nero, que fora um amo ambicioso e cruel submetendo o filósofo a maus tratos freqüentes4. Porém, mesmo nesta miserável condição, Epiteto fez de sua dor e da sua situação a mola motriz para a prática dos ensinamentos do Estoicismo a fim de aprimorar seu caráter provando que independente de tantas e ciclópicas5 adversidades a sua alma imortal era independente e dona de si.
Epiteto foi alforriado após a morte de Epafrodito e passou a divulgar a doutrina estoica, porém, ele fora de Roma em virtude do Édito Contra os Filósofos do Imperador Domiciano (90 – 120 d. C.). Mesmo exilado continuou ensinando a Filosofia Estoica ao ponto de alcançar renome. Seus ensinos foram recolhidos e transcritos por seu discípulo Flávio Arriano – O Enkeridion (manual para a Vida) e os Discursos.
Epiteto foi amigo pessoal do Imperador Adriano ( 117 - 138 d. C), consagrou-se como um filósofo estoico por causa de sua aura e Modus Vivendi virtuosos.
Desta forma honrado (a) leitor (a) este artigo faz a justa divulgação e manutenção da vida e obra de Epiteto, pois não ele deve ser desprezado por causa de sua condição social e pelo trabalho realizado assim como outras pessoas em atual situação idêntica a de Epiteto, pois nossa sociedade valoriza as aparências, as posses materiais e o Status Social, desprezando o sábio, virtuoso e coerente trabalhador.
Como afirmou uma vez um monge budista japonês do Séc. XIII – Nichiren Shonin (16 de fevereiro de 1222 – 13 de outubro de 1282): “Não devemos desprezar o ouro por estar contido em uma bolsa suja”.
Notas e referências bibliográficas:
1N.A (Nota do Autor) – Tal ação foi influenciada pela vida e morte de Sócrates e pela silêncio de Jesus Christos perante Pôncio Pilatos e sua consequente crucificação.
2Referente a Heráclito de Eféso, fundador do Mobilismo.
3Dyanna – concentração tranquila uma dos estados da mente professados pelo Budismo.
4N.A. - Chegando a quebrar a perna de Epíteto, que passou a usar moletas para transitar.

5N.A. - Gigantesca, imensas e de grande estatura e assustadora.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Mitologia e História: E os heróis míticos.

“Lendas são lições que carregam a verdade”. - Trecho do desenho de animação “Valente”- Pixar/Disney.
 
A mitologia é o conjunto de lendas e canções que narram ações de um passado imemorial. Verdadeiras epopeias em que lições são tiradas dos contos e que para nós historiadores se tornaram uma fortíssima pista sobre as mentalidades dos homens de antanho, a construção de nosso modo de vida atual, a compreensão dos fenômenos que nos cercam e a metafísica neles desveladas.
Os mitos sempre foram tratados como fatos, pois muitos deles tem pontos semelhantes quando são contados através de outros pontos de vista de outros povos – como Atlântida, o Dilúvio e os contos de Gilgamesh – e portanto aconteceram, mas como haviam se passado tanto tempo e restou fragmentos de memória se tornaram, então, lendas.
E como disse uma vez no desenho de animação “Valente” da Pixar/Disney:
“Lendas são lições que carregam a verdade”.
Embora os historiadores e filósofos atuais afirmem desde de o período da Renascença que os mitos são Lendas de feitos heroicos, em que os heróis, possuidores da natureza divina, transcendem seus invólucros materiais a fim de alcançar a sua divindade através de suas ações majestáticas e corajosas, em que enfrentam perigos mortais e aterradores, para libertar o seu povo do perigo e do Mal – como nos contos de Hércules, Teseu e Perseu.
Ou de combates entre nossas naturezas interiores a fim de sobrepujar as ilusões e vivenciarmos a plenitude de nossa alma imortal, o caminho da Sabedoria (Prajna), a fim de rompermos com nossas amarras Kármicas de nossas Rodas de Sansara e lutarmos corajosamente em prol da Justiça (Maat), fazer aquilo o que precisa ser feito – como no relato da Batalha de Kurukshtra (Bhagavad Gita), em que Krshna tenta aplacar a angústia do Príncipe Arjuna, ou nos contos do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, homens que apesar de viverem na Idade Média nas Ilhas Britânicas pós-domínio romano, vivenciaram o código da Cavalaria e foram honradas na defesa dos fracos e oprimidos e na busca do Santo Graal.
Tais realidades fantásticas nos inspiram a trilharmos a nossas vidas de forma corajosa e viver de forma honesta, seguirmos o Dharma, sem nos macularmos com as ilusões deste mundo. Portanto devemos ter um pouco mais de carinho e apreciação com o Mitologia e comparar as estórias contadas, com o intuito de enriquecer nossas vidas de forma a vivermos a moralidade e sermos austeros e corajosos como os heróis das Lendas. Devemos levar em consideração que os Heróis míticos são diferentes dos heróis históricos, mas que os primeiros serviram de inspiração para os segundos, assim com os heróis místicos. E assim devem ser para nós, em nossa geneaologia espiritual, mental e cotidiana.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Meteorologia

“A previsão do tempo para hoje é...” - informe do boletim meteorológico.

 A Meteorologia é a ciência que estuda os fenômenos atmosféricos através de dados, registros relacionados as condições da atmosfera e da observação constante e comparativa dos fenômenos que se apresentam, a fim de informar e prever o tempo12.
Como ciência, a meteorologia, é uma ciência ligada a outra ciência espacial, a Geografia, com o intuito de compor a conjuntura de observações espaciais em que estamos inseridos. Entretanto, ela foi relegada a função de “previsão do tempo” de forma intelectualizada e desatualizada.

A origem da meteorologia ocorreu em um passado imemorial, esta ciência era utilizada e informada com grandes constâncias, cujos objetivos era prever, harmonizar e prover. Teve como seu fundador e patrono o filosofo Aristóteles, embora os sacerdotes egípcios já utilizavam esta ciência. Nas culturas antigas e ligadas a Natureza como egípcios, celtas e ameríndios imperiais a meteorologia, em conjunto com a astronomia/astrologia, a utilizavam como uma forma de viver os ritmos sagrados do Universo e dos ciclos da Terra3.

Pois para estes homens de antanho estas duas ciências eram indivisíveis e imprescindíveis, assim como, a conjuntura dos ciclos (ciclo da água, do carbono, da Precessão4 – estações do ano), que eram levados em consideração no momento da previsão a fim de atender as necessidades, principalmente na agricultura, e no cotidiano.
Embora, algum leitor desta coluna irá afirmar que a meteorologia servia aos interesses econômicos ou apenas informar o tempo. De forma caricata e “intelectualizada”, contudo os objetivos da meteorologia eram atender as necessidades sociopolíticas, a agricultura e pecuária, as navegações e, acima de tudo, se conectar e se harmonizar com a Natureza e seus ritmos.

Atualmente, os homens comuns pensam de forma a se desfazer desta ciência. Como consequência a meteorologias ficou limitada a previsões diárias com divulgações esparsas, que fazem parecer que a meteorologia como ciência é imprecisa e “indigna de crédito”.
O boletim meteorológico poderia ser divulgado a cada trinta minutos5, mas nos parece que não existe uma iniciativa para esta divulgação.
E o objetivo destas divulgações deveriam preparar os espíritos dos ouvintes para se harmonizarem com a mudança ou permanência climática. Entretanto, o homem comum contemporâneo não pensa e nem age desta forma.
Sendo assim a meteorologia se tornou uma ciência desvirtuada, mas com uma importância enorme em nossas vidas.


Notas e referência bibliograficas:
1LUCCI, Elian Alabi – Geografia: o homem no espaço global. - Editora Saraiva – São Paulo - |S.P. - 1999 – pág. 344.
2N.A. (Nota do Autor) – o termo “tempo” significa tanto estado atmosférico como atos sucessivos em que se divide a idade das coisa e do Universo” - Ver dicionário Aurélio.
3ÀLVAREZ, Juan Carlos do Rio – Constelações Zodíacais: Astronomia e Meteorologia – in Revista Esfinge nº 27 – São Paulo – S.P. - págs. 33 e 34.
4N.A – Precessão é o movimento, um dos movimentos da Terra em relação ao Sol, em conjunto com o movimento de Translação, que formam as Estações do ano.
5N.A. - Como diz no slogan da BandNews fm: “a cada vinte minutos tudo pode mudar”.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A questão dos benefícios no Budismo.

Em resposta aos que perguntaram sobre quais são os benefícios no Budismo ou o que a prática nesta fé pode trazer.
A fim de esclarecer aos consulentes sobre o Dharma e a prática para alcançá-lo, ou seja, o que significa o conceito de benefício e quais são os verdadeiros benefícios das práticas no Budismo. Benefícios significam méritos coletados de ações (Karma) positivas desfrutadas pelos homens em uma ou várias vidas. Porém os homens contemporâneos os confundem com a aquisição de bens materiais (posses), a satisfação dos sentidos (prazeres sensoriais, momentâneos e exagerados), o despertar dos poderes paranormais e sobrenaturais (magia ou pequenas virtudes), cura de doenças ou efeitos físicos ou a eminência da morte, o que gera como conseqüências o apego à vida e o medo da morte.
Os benefícios relacionados às práticas expostas pelos ensinamentos do Budha Shakyamuni são o autoconhecimento, a compaixão e o despertar das seis virtudes (paramitas) – generosidade, moralidade, sabedoria prajna, paciência, diligência e concentração - e compreensão, contemplação e plena atenção aos fenômenos (internos e externos). Sendo assim, os legados mais importantes deixado pelo Buddha foram a moralidade e a sabedoria, como caminhos para a plenitude da vida e como comunhão com a essência mais sagrada da vida. Assim como fez Jesus Christos que se empenhou em ensinar os homens de sua época e de seu país, os caminhos da moralidade e do respeito, através das contemplações metafísicas das práticas dos Essênios e das austeridades estóicas .
Porém, os homens comuns se atentam para as virtudes menores, ou seja, os poderes psíquicos e mágicos e os resultados de curto prazo ligados aos valores materiais e aos sentimentos desnecessários, assim como, a valorização da avareza, da vaidade, da quantidade e do desdém aos demais. Características, estas, defendidas e vociferadas pelos adeptos da Teologia da Prosperidade e do Budismo de Resultados, como valores para “a satisfação e a glória pessoais” e sinais de “bênçãos” e “salvações”. Mas o papel fundamental dos ensinos expostos pelos avatares eram a plenitude da vida, a temporaneidade (impermanência) e as ferramentas importantes para atingirmos/despertarmos as nossas sabedorias e as comunhões com o Dharma contido em nossas essências e em nosso caráter.
Pois como o Buddha havia exposto, aqueles que controlam seus desejos e as suas mentes alcançam as suas verdadeiras auto-realições, diminui as dores e as amarras de suas Rodas de Sansara . Desta forma os ensinos expostos têm o objetivo de religar os homens aos seus lados mais sagrados e a viverem livres de desejos, das ilusões e dos apegos. Mas que os homens comuns, a plebe, a fim de manter seu apego às ilusões, as paixões intensas e aos valores efêmeros, desprezam esta proposta e buscam a anistia, através da retórica vazia e de uma atitude momentânea e teatralizada, uma falsa moral, da qual ele exige do outro, porém se atenta para a “espetacularização da fé”, gerando assim desonestidade intelectual e social e, conseqüentemente, aprofundando suas amarras kármicas .

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Sobre o Karma.

Uma breve explicação sobre o Karma e sua função. “Eu sou o resultado de meus próprios atos, herdeiro de meus próprios atos...” - Frase atribída ao Buddha Shakyamuni.
Quando nos referimos sobre um fenômeno negativo que ocorre conosco ou com outrem, afirmamos que é o Karma. Porém, o dizemos de forma leviana e sem conhecimento sobro o Karma, sobre a pessoa e sobre as mentes que observam este acontecimento, ou seja, a nossa e a dela. A palavra Karma vem do sânscrito e significa ação, que gera uma reação (efeito). Desta forma, toda ação independente de ser boa ou ruim tem uma conseqüência importante, mas para isto devemos nos ater as ações . Segundo uma frase do filme “Could Atlas”: “Nossas vidas não nos pertencem e elas estão ligadas uma as outras, pois do útero ao túmulo, todo crime e todo ato de bondade gera o nosso futuro” . Através desta frase podemos observar que tudo o que fazemos retorna a nós em algum momento mais propício. Assim, sendo criamos Karma, positivo ou negativo ou neutro, o tempo todo, dependendo da intenção que colocamos e da forma que observamos, pois o Karma é uma forma pedagógica, pois o Karma negativo nos mostra a dor como resultado de nossos atos. Segundo o Buddha Shakyamuni: “A dor é veículo da consciência e sinal de alguma transgressão cometida contra o Dharma”
E é através da dor que contemplamos o(s) erro(s) e buscamos realizar ações retas a fim de retornarmos ao Dharma. Desta forma transformamos o Karma em Dharma, ou seja, amenizamos (diluímos) os efeitos karmicos, e assim não nos identificamos com a dor. Os karmas positivos são méritos coletados pelas ações benfazejas e altruísticas, mas que devemos nos desapegar, pois podem nos desviar dos caminhos dharmicos. Porém, o karma positivo nos leva a auto-realização. Os karmas neutros são ações justas, desapegadas e feitas por dever que nos direcionam ao Dharma, através do sentimento de dever cumprido e da vocação e com isso alcançamos o Nirvana.
A manifestação do Karma ocorre em virtude das condições favoráveis, ou seja, os fatores que surgem . Mas, ao contrário do que se pensa a manifestação do Karma não é um castigo e nem depende exclusivamente de uma divindade irada e vingativa, pois são ações realizadas por nós e estas ficam guardadas na nossa Alaya-Vijnana (8ª consciência – Armazém da Consciência), um nível de consciência ligada à memória cósmica e que guardam as ações e fenômenos a fim de gestá-los para a ocorrência dos efeitos mediante a manifestação das condições necessárias para eclodí-las . A História neste momento, em conjunto com a meditação, é utilizada como uma ferramenta, não só para nos situar no tempo, mas como uma memória a fim de não repetirmos os mesmos erros e curar o passado através do arrependimento, do perdão, meditação e ações retas para diluir e amenizar o efeito . Sendo assim o Karma se transforma em missão, principalmente, quando aceitamos alguma responsabilidade altruísta – o Caminho do Bodhisatva – e construir uma sociedade virtuosa (aristocrática) e liberta dos grilhões de Maya (ilusão) no intuito de conduzir os homens ao Nirvana .
Mas qual é o Karma do povo brasileiro? Desde de 1889, o Brasil perdeu o seu processo civilizatório, iniciado no período imperial e foi interrompido com o golpe de Estado conhecido como “Proclamação da República”, pois a ingratidão se tornou intrínseca na essência do povo brasileiro, que se tornou uma nação de bárbaros. Pois, este povo precisa retomar seu processo civilizatório, os valores éticos, morais e honrados a fim de diluir o Karma coletivo e rumar a felicidade e a auto-realização, ou seja, retornar ao Dharma coletivo nacional como nação civilizada .

terça-feira, 9 de julho de 2013

Fé, fanatismo e convicção no cenário atual. - Apesar de vivermos em uma sociedade multicultural e com várias religiões assistimos horrorizados o fenômeno cíclico do fanatismo.

No cenário atual, pelo menos no Brasil, a religião ou as religiosidades estão em evidência no panorama cultural. Porém as pessoas demonstram um descontentamento com as religiões em virtude das atitudes erradas e das deturpações dos conceitos originais que compõe a Religião. Vivemos em um país que tem uma pluralidade de religiões, que buscam através de suas mensagens conectarem os homens com o divino, ou seja, sua natureza sagrada e elevada. E através destas mensagens ocorre a manifestação da fé. Fé é acreditar em algo ou em alguma coisa e torna-se o veículo que liga os seres humanos com a centelha divina, que habita em cada um dos homens, ou seja, sua essência sagrada. A fé é um fenômeno subjetivo que pode ser explica através da psicologia, sociologia, História Cultural e pelo Estudo Comparado das religiões.
O estudo das doutrinas e o Estudo Comparado das religiões são investigações realizadas pelos discípulos ou iniciados a fim de compreender a fé e consolida-la dentro de si, adquirindo de forma racional, intuitiva e civilizatória, a Convicção. Ter convicção é estar seguro do caminho a ser percorrido, sempre de forma clara, calma, pacífica e tolerante. Pois o convicto tolera as diferenças aceitando-as de forma sábia, pois compreende os outros e respeita os ritmos, os espaços e as opiniões alheias.
O Buddha Shakyamuni, através de seus discursos, incentivava os discípulos e seguidores a testarem à veracidade dos ensinos pregados por ele, ou seja, os seus discípulos deveriam investigar a aplicação e as verdades daquilo o que estava sendo pregado. Assim como, solicitava aos discípulos a valorizarem os Dharmas expostos em outras linhas de pensamento. Quem tem Convicção respeita a liberdade religiosa e agrega os ensinos bons a sua vida. Ao passo que o fanatismo, que é a raiz da tirania e da intolerância, se torna um ataque à civilização, à convivência e uma aberração aos ensinamentos expostos pelos sábios e pelos Avatares.
Para o fanático não há outra opinião que não a dele, torna-se impossível manter um dialogo com um fanático, pois discursa em alto volume os seus “conceitos” e escarnecendo dos seus debatentes, ou seja, não existe o dialogo, mas dois monólogos ou a imposição de idéias. O fanático é o fruto da imposição de doutrinas deturpadas e simplificadas, somadas à castração dos processos investigativos, à ignorância, medo e preguiça mental. Dentro do fanatismo não ocorre à investigação, pois se incentiva o pouco raciocínio e o afloramento das paixões. Em virtude desses fatores muitos crimes, excomunhões, execrações, desrespeitos e escárnios são cometidos.
E no cenário multi-religioso tem ocorrido o fanatismo devido à ignorância e aos pensamentos tortuosos dos povos do Brasil. Porém, este fenômeno é cíclico e já ocorreu outras vezes. A única saída é buscarmos a convicção e a tolerância. Como disse uma vez no filme Ágora2: “Há mais coisas que nos une, do que nos separam”3.
1 - Avatar (sanscrito) - Descido dos Céus. 2 - Filme de Alejandro Amenabar (2010), veio para o Brasil com otítulo de Alexandria. 3 - Frase extraída do Filme Ágora e atribuida a Hipátia de Alexandria.