quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A arte barroca.

A arte barroca é conhecida como uma arte ornamental, sacralizada e propagandista, mas que imprimiu beleza e vida cotidiana nos Séc. XVI à XVIII.
Desenvolvida no Séc. XVII (1600-1750) através da conjunção das técnicas avançadas e o grande porte da Renascença com a emoção, a amplitude e o drama do Maneirismo. O Barroco se originou na Itália, em 1600, porém não se desenvolveu de forma homogenia, pois ocorreram produções diferentes entre diversos artistas em outros países[1].
Esta arte estava inserida no contexto da Contra-Reforma (Sécs. XVI e XVII), quando os papas se dispuseram a financiar as obras artísticas para manifestar o triunfo da fé católica e atrair novos adeptos através da linguagem artística[2].
O êxtase de Santa Teresa D'Avila
Contudo, o Barroco contrastava do Renascimento, pois dava ênfase à emoção e não ao racionalismo, característico do Renascimento, valorizava o dinâmico em contrapartida ao estático.[3]
A Escola de AthenasA Deposição por Caravaggio
Por volta do Séc. XVII a arte barroca atingiu até a música concedendo novos recursos, foram acrescentados outros modos, sendo aproveitados mais dos modos jônico e eólico (maiores e menores, respectivamente). Surgiram ilustres gênios da música barroca, tornando-a cada vez mais bela, como Antonio VivaldiDomenico Scarlatti, Johann Sebastian Bach e outros. A partir desta conjuntura nasce os ritmos instrumentais que utilizam a valorização das emoções, principalmente o sentimento de fé.
No Brasil o estilo artístico se desenvolveu durante o Séc. XVIII, associado à religião católica, embora haja edifícios civis com este estilo. Sendo que duas linhas caracterizam o estilo barroco no Brasil colonial: a primeira linha, encontramos igrejas com trabalhos feitos em relevo na madeira e coberta por finas camadas de ouro, com janela, cornijas e portadas decoradas com detalhados trabalhos de esculturas, que são encontradas em regiões enriquecidas pelo comércio de açúcar e pela mineração. [4]
A segunda linha se caracteriza pela modéstia e pela participação de artistas mais inexperientes e menos famosos em virtude de serem regiões mais pobres, ou seja, que não possuíam açúcar ou mineração. O barroco no Brasil ajudou a construir a nossa identidade com seus estilos arquitetônicos espalhados pelo país.[5]
Facahda da Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte em São Paulo
Sendo assim, a arte barroca é uma manifestação artística que marcou épocas e colaborou com o processo civilizatório no mundo e no Brasil, formando identidade e imprimindo a continuidade refinada da fé católica pelo mundo.
Notas e referências bibliográficas:

[1] STRICKLAND, Carol – Arte Comentada: da pré-história ao pós-moderno – Ediouro – Rio de Janeiro – R.J. – 2002 – Pág. 46. PROENÇA, Graça – História da Arte – Editora Ática – São Paulo – S.P. – 2001 – págs. 102 e 103.
[2] STRICKLAND, Carol – Op. Cit. – Pág. 46.
[3] PROENÇA, Graça – Op. Cit. – pág. 103.
[4] Idem – Pág. 196.
[5] Idem – Ibidem.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O que os pais não devem ser.

Um importante lembrete para os senhores pais.
Muitos pais bradam aos oito ventos e as dez direções que criamos nossos filhos para o mundo, porém, se contradizem afirmando e agindo de forma a tentar apegar os filhos a barra de suas vestes, exigindo mesquinhamente que sejam cuidados pelos filhos no final de sua vida ou na sua velhice (senectude).
Criamos nossos filhos para o mundo e para a vida, pelo menos deveríamos ensiná-los a viver por conta própria e por seus próprios riscos, sem medo e com muita ética, desenvolvendo seu caráter através de exemplos e ensinamentos.
Para tanto devemos tomar uma postura mais independente, pois filho se cria através de exemplos sólidos e estáveis e de forma corajosa. Primeiro, coragem para abraçar os ciclos da vida com suas alegrias e angústias, cônscios de sua naturezas humanas e dos ciclos de ascensão-apoteose-queda.
Segundo, independência para usarmos de nosso livre-arbítrio, de nossa sabedoria e de libertarmos nossos filhos de um ilusório compromisso, pois, nós pais, não somos fardos a serem carregados pelos filhos, que devem viver suas vidas com liberdade e responsabilidade, lembrando e reverenciando os seus ancestrais como exemplos morais a serem seguidos.
Portanto, senhores pais, não sejam fardos para seus filhos nas suas velhices, sejam exemplos de uma vida moral e nobre, já que caráter é o bem mais precioso de uma linhagem familiar.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Em defesa das Fraternidades Estudantis.

A juventude é uma força dinâmica na sociedade, sem dúvidas. E o Movimento Estudantil Universitário é a sua mais marcante expressão[1]. Entretanto, os estudantes possuem diferenças. Neste artigo vamos abordar de forma peculiar as diferenças entre estudantes estadunidenses e estudantes brasileiros.

No modelo brasileiro vamos destacar duas práticas: as repúblicas estudantis e o movimento estudantil. Sendo a primeira uma moradia para estudantes universitários, era chamada de solar dos estudantes ou apenas república. Essa pratica foi promovida pelo Rei D. Dinis I de Portugal[2], em Coimbra, que ordenou a construção de casa para o assentamento de estudantes que custeariam suas estadias através do pagamento da locação destas. Hoje, no Brasil, as repúblicas continuam a serem moradias provisórias para estudantes universitários com alguma ajuda governamental a fim de manterem esses recintos.

O movimento estudantil brasileiro, mais especificamente o universitário, se caracteriza pelo seu engajamento político, de sua rebeldia juvenil[3]. Até o ano de 1937 que fora fundado a UNE (União Nacional dos Estudantes), os estudantes brasileiros já possuíam uma visão crítica e opositora, segundo Arthur J. Poerner. Contudo, nos dias atuais, ocorre um engajamento político-partidário de esquerda no movimento estudantil, tornando-se um braço ativista e um militante para as ideologias de esquerda e seus partidos.

As fraternidades, cujo radical vem do latim de “frater”, significa irmão. Esta é uma prática acadêmica muito antiga em países como os Estados Unidos, tendo grande importância na vida acadêmica de um estudante. É uma associação de jovens estudantes unidos por um mesmo interesse, sendo eles pela áreas de estudos acadêmicos, esporte, social, um hobbies e solidariedade. Formando companhias constantes durante os seus anos de universidade, que se tornarão amigos para a vida inteira. De maneira a formar um rede de conhecimentos e solidariedades profissionais, em virtude dos diferentes contatos. As fraternidades ou irmandades[4]estão quase sempre localizadas dentro do campus universitário, lembrando as nossas repúblicas, mas não servem apenas como moradia ou um local de estudos. Elas têm como objetivo o “saber viver” e organizam eventos, grupos de estudos, fazem trabalhos voluntários. Apesar dos filmes passarem a ideia de que são feitas só de festas, bebidas e excessos hedonistas, esta não é a função verdadeira das fraternidades.

O ponto em comum que as fraternidades e os movimentos estudantis têm são os trabalhos voluntários, como forma de trabalhar o caráter de seus membros e colaborar com o processo social.

Sendo assim, as fraternidades estudantis configuram uma forma de opção aos estudantes brasileiros na sua formação sem a interferência maliciosa dos partidos políticos e ideologias político-partidárias.

Notas e referências bibliográficas:

[1] SAVAGE, Jon – A Criação da Juventude: Como o conceito de teenage revolucionou o Século XX – Rocco – 2007 - Rio de Janeiro – R.J. – pág. 29. HOBSBAWM, Eric – A Era dos Extremos: O breve Século XX (1914 – 1991) – Companhia das Letras – 2005 - Rio de Janeiro – R.J. – pgs. 317 e 319 . POERNER, Arthur José –O Poder Jovem: História da participação política dos estudantes desde o Brasil-Colônia até o governo Lula – Booklink Publicações Ltda– 2004 - Rio de Janeiro – R.J. – pgs. 39, 40, 129 e 130.
[2] D. Diniz I (Lisboa9 de outubro de 1261 – Santarém7 de janeiro de 1325), apelidado de o "Rei Lavrador" e "Rei Poeta", filho mais velho do Rei D. Afonso III.
[3] POeRNER, Arthur José –Op. Cit. – Booklink Publicações Ltda – 2004 - Rio de Janeiro – R.J. – pgs. 40, 53 à 55, 123 e 124. MALATIAN, Teresa – Império e Missão: Um novo monarquismo brasileiro – Companhia editorial nacional – 2001 – São Paulo – S.P. – pág. 38, 44, 45.
[4] As diferenças entre fraternidades e irmandades são a questão de gênero. Enquanto as fraternidades agregam moços, as irmandades selecionam moças.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Os limites do uso da tecnologia

Vivemos em uma época caracterizada pela enxurrada de tecnologias que mimaram o público, deixando-o indolente. Tal fenômeno foi muito criticado pelo economista estadunidense Robert Gordon e por filósofos à maneira clássica, que afirmam ocorrer uma dependência e um abuso sobre máquinas, dispositivos e códigos digitais.
O advento da tecnologia é para o auxílio das ciências em suas pesquisas, o seu uso cotidiano foi uma concessão para a produção de bens de consumo (como os tecidos da I Revolução Industrial).
Embora, alguns leitores fossem questionar sobre a tecnologia ser filha da guerra. A guerra é um fator que desenvolve a tecnologia com as finalidades de investigação através de cálculos e experiências e a vitória através do uso da tecnologia e da moralidade.
A tecnologia hoje, ainda possui limitações, pois uma coisa é o nosso imaginário e a outra é a realidade, a concessão do uso de tecnologia que hoje se limita as redes sociais, informações questionáveis e ao hedonismo eletrônico, sem dar espaço significativo da comunicação digital aos negócios, segundo Robert Gordon, contudo constatamos o uso abusivo e de forma dependente dos aplicativos nas comunicações e no cotidiano, tarefas que poderiam ser utilizadas pelo intelecto humano desenvolvendo o seu raciocínio para invenções e maiores atenções em tarefas.
Sendo assim, a humanidade esta carente de invenções que elevem o seu conhecimento e progresso interno e humanístico.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A crise no Rio de Janeiro.

Os caros leitores devem lembrar quando o presente colunista publicou o artigo “Rio de Janeiro: a nova Atlântida”[1], que hoje agoniza com suas tragédias, mas por culpa de seu próprio povo, que foi leviano, avaro e bárbaro. Lembrando que os políticos são o reflexo da população, são apenas canalhas mais esperto que foram eleitos por canalhas menos espertos.
A crise no Rio de Janeiro é um resultado disto e de uma soma de condições negativas, como uma má administração, tanto corrupta quanto oligárquica e cleptocrática[2] que se embriagaram com o dinheiro e o poder.
Voltando a questão das oligarquias, estas estiveram coniventes com o crime, pois a praticavam de forma a absorver o sistema corrompido e se alimentar deste de maneira a complementar os seus ganhos. Contudo, devemos observar que são oligarquias que lutam umas com as outras no intuito de ascender ao poder e impor seu projeto de dominação.
Tais grupos visam maneiras de lucrar com o estado de abandono e caso que se encontra o Rio de Janeiro a fim de sustentar suas ganancias e suas luxúrias e manter o povo, cumplice de seus crimes, no estado de ignorância e barbárie. Para algumas pessoas estas oligarquias remontam o período colonial, da época das capitânias hereditárias, o que é um engano, pois as lideranças locais vieram com os coronelismos e com a formação destas oligarquias que hoje saqueiam, ainda, o Estado do Rio de Janeiro e sua capital, nos deixando um legado sombrio.
Aonde a fome assola os funcionários públicos estaduais pela falta de pagamento em virtude do esgotamento financeiro gerado pelos saques das oligarquias na administração do Estado e dos municípios fluminenses. E hoje o povo assiste os resultados passivamente e sem uma visão para o futuro.
Mas, toda crítica deve vir com uma sugestão. E sugestão é que o Rio de Janeiro seja transformada em Território, ou seja, perca seu Status de ao nível Estado e seja rebaixada de território em virtude da ausência de administração e segurança, como foi citada anteriormente, sendo colocada aos auspícios do governo federal retirando o poder de oligarquias alinhadas ideologicamente com o crime organizado.

Notas e referencias bibliográficas:

[1] Ver http://www.gostodeler.com.br/materia/18233/rio_de_janeiro_a_nova_atlantida.html
[2] Referente à Cleptocracia, termo de origem grega, que significa “governo de ladrões”, que visa roubar de capital financeiro dum país e do seu bem-comum. A cleptocracia ocorre quando a maior parte de sistema público governamental é capturada por uma oligarquia que pratica a corrupção política, institucionalizando-a, assim como, seus derivados como o nepotismo, o peculato, de forma que estas ações ficam impunes, por todos os setores do poder estarem corrompidos, desde a Justiça e todo o sistema político e económico-fiscal. Ver em https://pt.wikipedia.org/wiki/Cleptocracia acesso em 05 de agosto de 2017 às 10hse 37 min.

sábado, 27 de maio de 2017

Trivium e Quadrivium – as Artes Liberais

A redescoberta da Paidéia durante a Idade Média através das Artes Liberais – Trivium e Quadrivium . Que podem ajudar o homem contemporâneo em sua formação do conhecimento e da civilização, deixadas para trás.

universidades da Idade Média
Durante a Idade Média européia ocorreu uma redescoberta da Paidéia na educação, que muito ajudou na formação das elites intelectuais, baseadas na educação clássica, pois a educação greco-romana ainda era, e podemos afirmar que ainda é o modelo, de educação e civilização.
Como foram baseadas no estilo clássico de educação tinham sido formados sete artes que possibilitaram a formação do homem livre, que estavam desconectadas das preocupações mundanas ou profissionais, ou seja, a formação de uma elite que através do refinamento intelectual que tinham a capacidade de produzir obras e idéias que elevam o espírito humano para além dos empenhos materiais, em direção a uma inteligência racional e livre.
As sete Artes Liberais
Chamava-se de Trivium e Quadrivium, as Artes Liberais, que eram um grupo de sete artes, caminhos ou disciplinas que envolviam o estudo da Gramática, Lógica, Retórica, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia. Estas sete disciplinas estavam divididas em dois grupos:
Trivium: Cujo significado era “o cruzamento e articulação de três ramos ou caminhos” e o objetivo era o provimento de disciplina à mente, para encontrar expressão na linguagem, principalmente no estudo da matéria e do espírito. Dentro deste grupo estava a Gramática, Lógica e Retórica.
Quadrivium: “Cruzamento e articulação de quatro ramos ou caminhos”, cujo objetivo destas artes era a providência dos meios e dos métodos para o estudo da matéria, que estavam sujeitos ao aprimoramento na área das disciplinas superiores (Medicina, Direito e Teologia). Dentro deste grupo estava a Aritmética (teoria dos números), Geometria (teoria do espaço), Música (aplicação da teoria do número, pode ser entendido como estudo dos princípios musicais, harmonia) e Astronomia (aplicação da teoria do espaço). Sendo assim o espírito humano teria como caráter intrínseco o número.
Portanto durante aquela época ocorreu uma formação da educação e da Paidéia, ou seja, a redescoberta desta última. A disciplina ou virtude se faz necessária para a realização da formação educativa nestas artes que segundo o postulado da educação medieval e clássica o intelecto deve ser desenvolvido pelas cinco virtudes intelectuais: A compreensão - captação intuitiva dos princípios primordiais (pensamento lógico e investigação lógica); a ciência - conhecimento das causas mais prováveis; a sabedoria - compreensão das causas fundamentais; a prudência - pensamento coerente relativo às ações e a arte - pensamento aplicado à produção e à capacidade de produzir.
Com isso pode ser observado o processo, perdido pelo tempo, do conhecimento.

Referências bibliográficas:
JOSEPH, Miriam. - O Trivium - As Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica. Tradução de Henrique Paul Dmyterko. São Paulo: É Realizações, 2008.TARNAS, Richard – A Epopéia do Pensamento Ocidental.  Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.http://recantodasletras.uol.com.br/resenhasdelivros/1957460 - Acessado em 12/04/2011.